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Por que saber de onde vêm os alimentos pode ser benéfico para as crianças

  • 26 de nov. de 2017
  • 4 min de leitura

Na infância aprendemos como nos inserir no mundo, as regras do convívio social. Este também pode ser um período de investimento para ensinar como desenvolver hábitos mais saudáveis ao longo da vida. A retomada de costumes dos nossos avós serve para reavivar, cultivar e passar adiante práticas que ajudam a viver de forma mais próxima à natureza, usufruindo do que ela tem a nos oferecer de aprendizado, nutrição e cura.


Trazer o cultivo para o dia a dia

Roberta Aren trabalha com educação transpessoal, é doula pós-parto, coaching, arquiteta e faz parte do programa Segredos de Educação entre pais e filhos. Ela considera fundamental que as crianças desde cedo tenham contato com hortas. "Não que necessariamente seja preciso ter uma horta dentro de casa, porque para a maioria das pessoas a realidade não é essa, elas não têm espaço para uma horta, mas dá para ter um contato com isso, saber de onde vêm os alimentos", diz. Segundo a educadora, o importante é que os pais cultivem pelo menos um tipo de hortaliça em vasinhos. Essa é uma opção acessível e viável, inclusive para quem mora em apartamento. "Botar a sementinha, ver a mudinha, ver crescer, com certeza faz toda diferença", afirma.


Na Escola Municipal Professora Maria Augusta Canti Camargo Bilia, em Santa Bárbara D'Oeste, interior de São Paulo, o aprendizado sobre plantar e colher acontece na teoria e na prática. O projeto Horto Medicinal é uma iniciativa do grupo da Rede de Municípios Potencialmente Saudáveis da Universidade Estadual de Campinas. Mas antes mesmo de ele surgir a escola já mantinha uma horta convencional. "As crianças sempre tiveram esse contato com a natureza, plantavam alface, rabanete, colhiam e levavam para casa. Quando trouxeram esse projeto de plantas medicinais nós ficamos encantados, a gente sabe que hoje o pessoal vai sempre para o mais prático, tem uma dor de cabeça, corre na farmácia", relata Sandra Uetuki Nicoleti, diretora da escola.


FOTO: Raissa Gvozdar Schreiter


Estudante colhe algumas folhas de capuchinha.


"Estamos tendo um retorno muito gratificante, os pais vem falar que o filho chegou em casa dizendo que estudou tal planta e pediu para fazer a receita", conta a diretora Sandra. De acordo com ela, um dos objetivos do projeto é resgatar a cultura de buscar alternativas aos remédios, fazer com que as crianças e respectivas famílias reflitam um pouco, busquem primeiro a natureza. Na organização didática do projeto, os alunos desde o jardim de infância até o quinto ano do ensino fundamental estudam, a cada ano, 5 ou 6 espécies de plantas medicinais. Esse estudo ocorre da seguinte maneira: primeiramente as crianças recebem explicações da professora na sala de aula e fazem pesquisas na internet; depois participam de uma atividade prática no Horto Medicinal, que fica na área externa da escola. Lá, outra professora ("de campo") mostra as espécies estudadas. Cada criança colhe algumas folhas e toda a turma relembra as informações teóricas. Ao final da atividade todos ganham um panfleto contendo uma receita em que um dos ingredientes é a planta estudada na ocasião.



As professoras (a da sala de aula e a de campo) e a merendeira da escola fazem algumas porções da receita escolhida para que as crianças experimentem, mas ressaltam que em casa ela pode ser modificada conforme as preferências de paladar. Há ocasiões em que os pais dos estudantes também são convidados para aprenderem os chás, sopas, saladas, xaropes caseiros, entre outros que podem ser utilizados para as mais diversas funções como curar uma dor de barriga, dor de garganta e assim por diante.


FOTO: RAISSA GVOZDAR SCHREITER

Crianças participam da atividade prática sobre plantas medicinais na escola EMEFEI Professora Maria Augusta Canto Camargo Bilia.


Mas quando se fala em plantas medicinais, é importante saber respeitá-las e a nossa fisiologia que também faz parte da natureza. "O remédio da farmácia é químico, o resultado é mais rápido, o da natureza vai agir devagar, a gente precisa ter paciência. Temos sempre que consultar para saber a quantidade correta, porque às vezes tomar demais faz mal, não é porque é natural que a gente pode tomar de qualquer jeito, tem que ter uma orientação", esclarece Sandra sobre a importância de se pesquisar e conhecer mais a fundo sobre o uso dessas plantas.


O alimento natural e seu preparo

Para a educadora Roberta, além do contato com a natureza é importante que as crianças estejam na cozinha, façam parte do processo de preparo dos alimentos, claro que sempre com o auxílio de um adulto, com segurança e conforme as capacidades de cada faixa etária. "A cozinha é praticamente o coração da casa, onde se aprende a generosidade, a repartir o alimento, o tempo de preparação. Temos uma cultura que a gente traz da nossa geração de que criança não entra na cozinha, não pode mexer. Mas no nosso trabalho com essa nova educação, [incentivamos que] a criança desde pequena tenha certa autonomia dentro da cozinha, que ela consiga se sentir livre dentro dela, pertencente a esse espaço tão importante do preparo de alimentos. Com certeza a relação com a comida será bem diferente da criança que não tem acesso, não participa, não vê como os alimentos são processados. Nem que seja a criança mexer no feijão, desde pequena ela já pode fazer isso acompanhada dos pais."


FOTO: RAISSA GVOZDAR SCHREITER

Estudantes acompanham o preparo da receita com a capuchinha.

Roberta afirma que o comportamento alimentar das crianças, entre outros fatores, está ligado ao comportamento alimentar dos pais. "Não quer dizer que a criança precise comer de tudo, porque elas também podem ser seletivas como os adultos, elas também têm preferências alimentares, isso é normal. É importante os pais buscarem um comportamento alimentar consciente com essa criança e é preciso ver como esses pais estão lidando com o alimento diante da criança". Segundo a diretora Sandra, o projeto Horto Medicinal proporcionou a todos os envolvidos a busca por uma alimentação mais saudável, com mais alimentos naturais. "Os pais [dos estudantes] estão reaprendendo, assim como toda a equipe [da escola], sobre como às vezes nos alimentamos errado. Eu tenho três filhas e elas estão aprendendo também.".




 
 
 

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